fbpx

Compartilhe
Pin It
Gabriel Amorim - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Fórum promovido pelo Instituto Moreira Salles acontece no mês da inclusão da pessoa com deficiência

novo projeto

Com baixa visão, o fotógrafo João Maia ganhou notoriedade registrando esportes paraolímpicos (Foto: Fotografia Cega/João Maia)

O mundo precisou se reinventar para seguir produzindo e consumindo arte. Shows se transformaram em lives, exposições e espetáculos de teatro foram transportadas para o ambiente virtual. Existem aqueles, porém, para quem a adaptação já se fazia necessária na hora de consumir e produzir cultura. Em setembro, no mês oficial da inclusão da pessoa com deficiência, o Instituto Moreira Salles (IMS) promove a segunda edição do Fórum de Acessibilidade que vai discutir a importância de garantir acessibilidade de forma plena em espaços culturais. 

Para quem vive na pele, ou trabalha com o tema, é clara a percepção de que acessibilidade vai muito além da adaptação dos espaços físicos, o que torna o debate necessário também no campo virtual. “As instituições culturais são, por excelência, espaço de todos. A arte é o exercício de dar forma para questões de diversas ordens. Se você vai dando forma a essas questões você consegue olhar para elas para transformá-las. A acessibilidade não é só dar acesso ao que já existe, mas sim dar acesso, pensar e construir aquilo que a gente deseja que exista”, comenta Daina Leyton, consultora em acessibilidade cultural e uma das convidadas do fórum. 

Poeta e ator, o paulista Fábio de Sá nasceu surdo e vive na pele a dificuldade de se ver incluído enquanto artista. “Nunca trabalhei em um local artístico com plena inclusão. É muito importante garantir que os artistas com deficiência, no meu caso dos atores surdos, sejam contratados como profissionais e não somente como mestres de cerimônia. Ter equidade nas oportunidades oferecidas e que entendam que recursos assistivos não deve ser encarado como um gasto, mas sim como um investimento em uma pessoa capaz e que tem muito a mostrar”, comenta. 

Poeta e ator, Fábio de Sá é surdo e relata dificuldades para conseguir oportunidades artisticas (Foto: Divulgação/Geraldo Lima)

Fábio conta que, recentemente, com o isolamento, as dificuldades ficaram ainda mais evidentes. “Desde o início da pandemia não pude exercer nenhum trabalho artístico e ficou perceptível a falta de acessibilidade nestes espaços. As pessoas rapidamente se adaptaram a atendimentos remotos, mas a acessibilidade nunca é pensada e por isso esse atraso em se ter melhorias. Aplicativos, salas virtuais e outros não tem uma boa qualidade para acessibilidade, por exemplo em relação a intérpretes de Libras, ficamos impossibilitados de frequentar teatros, cinemas e espaços que promovem a arte”, ressalta ele.

Fotografia dos sons

Para o fotográfo João Maia, que tem baixa visão desde os 28 anos e percebe apenas cores e vultos, sem foco, foi preciso um evento internacional para que o mundo percebesse que era possível   alguém com deficiência visual fotografar.  Antes de se firmar como fotográfo, João foi atleta de arremesso de peso e lançamento de dardo e disco, durante sete anos e foi o esporte que deu a ele visibilidade na arte. “Sempre pesquisei, estudei, investi em equipamento. Em 2004 tive uma inflamação no olho e fui perdendo a visão, mas não deixei de fotografar. Eu era atleta e comecei a fotografar os meus colegas. Quando eu não estava competindo estava fotografando. Quando fui para as paralimpíadas de 2016 o mundo descobriu que uma pessoa com deficiência visual podia fotografar. A minha fotografia é feita através da audição. Eu transformo os sons em imagens”, conta ele, que na volta do evento esportivo criou o projeto Fotografia Cega. 

O fotográfo João Maia tem baixa visão desde os 28 anos (Foto: Divulgação/ Fotografia Cega)

Hoje, ele diz contar com a ajuda dos avanços tecnológicos  e de amigos parceiros para realizar seu trabalho e espera estar em Tokyo fotografando as próximas paraolimpíadas. “Eu acho que a gente precisa dessa representatividade. As pessoas com deficiência precisam de oportunidades. Se esse é um evento feito para deficientes, porque não ter nos bastidores pessoas com deficiência fazendo essa cobertura”, defende. 

Tanto Fábio quanto João estarão no fórum discutindo o tema e acreditam na necessidade de falar de acessibilidade desde o começo de qualquer projeto cultural. “Só assim não virá aquela desculpa de que tornar uma exposição acessível é caro. É caro quando não se pensa. A inclusão não é cara. O que é caro é deixar as pessoas com deficiência à margem, sem acesso a cultura. É esse preço alto que a gente paga por ser deficiente: não ter os mesmos direitos que as pessoas têm”, defende João. “Além da participação e discussão desses assuntos é necessário que realmente se realizem as ações discutidas”, completa Fábio. 

Atitude acessivel

Responsável por tornar acessível um dos principais museus do país, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a consultora em acessibilidade cultural Daina Leyton explica que o processo de tornar os equipamentos acessíveis precisa obedecer a algumas premissas, como a participação direta de pessoas com deficiência, seja como membro direto da equipe ou dando consultoria. É a vivência de quem experimenta na pele as situações  que vai dizer o que é importante adaptar. 

Daina Leyton é consultora de acessibilidade cultural (Foto: Divulgação/Eduardo Consonni)

O processo, segundo a especialista, não só inclui as pessoas com deficiência, mas enriquece os equipamentos culturais. “Ainda falta muito, mas já estamos em uma caminhada a passos largos. Apesar de muitas instituições culturais ainda não terem acessibilidade alguma, pelo menos existe a preocupação, coisa que sequer existia há 20 anos. A acessibilidade cria uma revolução porque não dá só aceso à comunidade de pessoas com deficiência, mas também faz com que os espaços culturais passem a ter acesso às culturas e às comunidades das pessoas com deficiência”, ensina. 

Ela destaca ainda, que a acessibilidade ultrapassa a implementação de tecnologias e contratação de profissionais especializados como intérpretes de libra, por exemplo. É preciso investir também na atitude social dentro dos equipamentos. “A gente tem as tecnologias de acessibilidade, que são necessárias, que ajudam muito, mas é preciso garantir a acessibilidade atitudinal, para que as equipes desses locais, as pessoas que recebem esse público, entendam os espaços como espaço de todos. Às vezes as pessoas que trabalham nesses locais, por falta de conhecimento, de informação tem algum preconceito, que é também por falta de sensibilização. De entender a real demanda dessas pessoas e realmente tornar os espaços acessíveis”, finaliza. 

2º Fórum de Acessibilidade: convergências entre arte, educação e saúde

Quando: 22, 23, 29 e 30 de setembro, das 18h às 19h30

O evento online e gratuito acontecerá na plataforma Zoom

Todos os debates serão transmitidos no mesmo link, que será informado nas plataformas do IMS  www.ims.com.br

Para participar, basta clicar no link na hora do evento.

Todas as atividades contarão com intérprete em Libras e legendas em português.

A capacidade máxima de pessoas por debate, no Zoom, é de 500 pessoas.

Todos os debates serão gravados e disponibilizados, posteriormente, nos canais do IMS.


*Com orientação da editora Ana Cristina Pereira 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional.

 

 

 

 

FONTE: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/evento-online-discute-acessibilidade-cultural/

Comments fornecido por CComment

DO SEU INTERESSE

Curiosidades

INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Recente no Site

Deutsche Welle O Brasil tem sido um caso mundial raro de acúmulo de erros no combate à doença...
Metro World News Há oportunidades para enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, entre outros /...
Isadora Teixeira A Coalizão Negra por Direitos disse que ingressou com ação civil pública contra a...

Notícias Nacionais

Parceiros & Apoiadores

Notícias Gastronomia

Metro World News Confira uma receita prática e deliciosa de churrasco com acém e setinho fazer em casa facilmente. Uma versão um pouco mais econômica para o fim de semana. / Reprodução - YouTube...

Marina Estevão - Revista Seleções Bombom já é uma sobremesa deliciosa... Agora, imagina um bombom de leite Ninho caseiro e superfácil de fazer? © pamela_d_mcadams/iStock Bombom de leite Ninho:...

Pedro Marques Paçoca do Beco, por Academia da Cachaça © Fornecido por Revista Menu Paçoca do Beco, por Academia da Cachaça -  Paçoca do Beco, por Academia da Cachaça / Foto:...

Metro World News Confira uma receita prática e deliciosa de pudim de pão simples para fazer em casa facilmente. Uma preparação especial. / Reprodução - YouTube Receitas de Pai {loadposition...

RELIGIÃO

Fernando Rossit O fenômeno se traduz por uma estranha impressão de já ter vivenciado a cena presente e mesmo saber o que se vai passar em seguida, ainda que a situação que esteja a ser vivida seja inédita. Conhecido como déjà vu, ou paramnesia...

Helio & Deise Peixoto “…não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” 2 Coríntios 4:18 {loadposition apoiador-estilo-vida} Mesmo sendo...

Frei Luiz Iakovacz Nas celebrações dominicais, leem-se três leituras bíblicas, das quais a primeira é sempre extraída do AT. No Tempo Pascal, porém, tanto nos dias de semana como nos domingos, proclama-se Atos dos Apóstolos. Com isso, a Igreja...

ESTILO DE VIDA

Divulgação

Don't have an account yet? Register Now!

Sign in to your account