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Maurício Oliveira

Com a pandemia e a disseminação do trabalho remoto, muita gente está descobrindo que não precisa morar nas metrópoles.

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Com a pandemia e a disseminação do trabalho remoto, muita gente está descobrindo que não precisa morar nas metrópoles. Alguns já colocaram em prática os planos de uma vida mais tranquila e mais barata no interior.

Boa parte das pessoas que vivem em metrópoles, como São Paulo, certamente já fizeram planos para ter uma vida mais tranquila no interior.

São planos que costumam ser endereçados ao período pós-aposentadoria. Afinal, quem tem toda a estrutura de trabalho atrelada a uma grande cidade dificilmente consegue romper com essa realidade.

Até que veio a pandemia, e com ela a disseminação do trabalho remoto. Surgiu, assim, a oportunidade para experimentar a vida fora das metrópoles – e, com isso, desfrutar de vantagens como custo de vida menor, índices mais baixos de violência e redução da poluição e do estresse.

Fuga para o interior

O fluxo migratório para o interior é um fenômeno que já vinha sendo percebido antes da pandemia – trata-se de mais uma tendência que deve ser impulsionada pela crise da covid-19.

Considerando-se as estatísticas gerais do país, a reversão na tendência de concentração nas capitais é recente. Entre o censo de 1980 e o de 2010, as capitais dos estados atraíram proporcionalmente mais moradores que o interior. Passaram de 23,8% para 24,5% do total da população brasileira.

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2020 é, contudo, de um recuo dessa participação, para 23,9%. Isso significa que a última década reverteu toda a tendência de concentração nas capitais acumulada ao longo das três décadas anteriores.

No que diz respeito ao estado de São Paulo, a tendência de maior crescimento populacional do interior é mais antiga. Entre o censo de 1980 e o de 2010, a participação da população da capital já havia caído de 33,8% para 27,3%. E recuou ainda mais na última década, para 26,6%, de acordo com a estimativa do IBGE para 2020.

Resistência superada

Alguns estão vivendo a experiência temporariamente, enquanto outros já decidiram tornar a mudança definitiva. É o caso do consultor Fabio Betti, 54 anos.

Há quase 20 anos ele e a mulher, a psicopedagoga Claudia, 49 anos, compraram um terreno e construíram uma casa num condomínio em Ibiúna, a 90 km de São Paulo.

A casa de campo era visitada uma ou duas vezes por mês pela família. Funcionava, assim, como um refúgio para descanso por poucos dias.

O casal tinha o plano de transformá-la em residência definitiva num futuro que parecia ainda distante. “A gente não via muita possibilidade de sair de São Paulo, por conta do trabalho”, lembra Fabio.

Logo no início da pandemia, que interrompeu a necessidade de estar em São Paulo, o casal se instalou em Ibiúna com os dois filhos, de 18 e 16 anos.

Como milhões de pessoas no país, ambos passaram a exercer suas atividades profissionais remotamente. E se deram conta de que será possível manter esse estilo de vida mesmo depois que a crise da covid-19 tiver sido superada. “A resistência dos clientes à ideia do trabalho remoto certamente terá diminuído muito”, diz o consultor.

Antecipação de planos

Fabio transformou em virtuais atividades que até então só havia feito presencialmente, como projetos de fortalecimento de equipes, conhecidos no jargão corporativo por team building. “Os resultados desse trabalho têm sido ótimos e vêm sendo reconhecidos pelos clientes”, ele avalia.

Ao longo dos meses da pandemia, enquanto ambos desenvolviam suas estratégias de trabalho à distância, Fabio e Claudia foram amadurecendo a ideia de colocar à venda o apartamento no bairro do Brooklin, em São Paulo. Em menos de um mês surgiu um interessado que aceitou pagar o preço pedido. Com o dinheiro da venda, o casal comprou um studio para cada um dos filhos em São Paulo.

Agora eles estão instalados definitivamente na casa de campo, o que significa a antecipação dos planos em pelo menos dez anos. Para que a adaptação seja a melhor possível, iniciaram a construção de uma edícula que terá um escritório para cada um, além de uma pequena academia. Tudo com paredes de vidro, para preservar o contato visual com a exuberante mata ao redor.

Condomínio lotado

Fabio diz estar “apaixonado” pela vida no interior – tanto por conta do contato da natureza quanto pela convivência com pessoas que têm rotinas bem mais tranquilas do que na cidade grande. “Vou na padaria e no mercado e todo mundo me conhece, me chama pelo nome. As pessoas se preocupam mais umas com as outras e estão sempre dispostas a ajudar”, ele descreve.

Tanto ele quanto Claudia nasceram e sempre viveram em São Paulo. Eles estão cientes de que tais circunstâncias envolvem um certo risco de “síndrome de abstinência” – ou seja, de sentirem muita falta da agitação da metrópole.

“Estamos bem próximos de São Paulo e poderemos ir até lá sempre que necessário”, diz Fabio. “O que a pandemia evidenciou é que não precisamos ficar lá o tempo todo. Essa é a grande mudança.” Ele ressalta que há boas opções culturais e gastronômicas também em Sorocaba, a 40 minutos de carro.

Fabio observa que o condomínio em Ibiúna, antes usado essencialmente nos finais de semana pelos proprietários, tem permanecido lotado durante a pandemia – indício de que muita gente está experimentando um cotidiano distante das cidades maiores.

 

 

 

 

FONTE: https://cultura.uol.com.br/noticias/14547_fuga-para-o-interior-acelera-reducao-da-concentracao-da-populacao-nas-capitais.html

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