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BBC NEWS Brasil

Mais sepulturas indígenas foram encontradas no terreno de uma antiga escola no Canadá, desta vez com os restos mortais de 182 pessoas. É a terceira vez desde maio que locais assim são identificados.

escola merieval010721Getty Images - Centenas se reuniram em uma vigília no local da antiga Escola Residencial Indiana Marieval em Saskatchewan

As descobertas lançaram luz sobre uma política de assimilação cultural praticada por décadas pelo governo canadense, em colaboração com a Igreja Católica, que culminou na morte de milhares de crianças e foi considerada genocídio por uma comissão do país.

"Você nunca pode se preparar totalmente para algo assim", disse o chefe Jason Louie da tribo Lower Kootenay, que integra a Nação Ktunaxa.

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Líderes indígenas disseram que esperam que mais sepulturas sejam encontradas à medida que as investigações avancem.

O achado mais recente ocorreu na véspera do Dia do Canadá, o feriado de fundação do país, quando três colônias britânicas se uniram, em 1867.

Muitos povos indígenas no Canadá nunca reconheceram a data, sentimento que cresceu nas últimas semanas, à medida que mais e mais túmulos foram encontrados.

Municípios em todo o país cancelaram as celebrações, e estátuas foram vandalizadas ou removidas.

Como os corpos foram encontrados?

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Getty Images -
As descobertas geraram uma onda de pesar pelo país

A comunidade de ʔaq'am, uma das quatro tribos da Nação Ktunaxa, usou aparelhos que emitem ondas eletromagnéticas para descobrir os túmulos perto da antiga Escola Missionária de St. Eugene

A nação indígena disse que é cedo para dizer se os restos mortais pertencem a ex-alunos. Alguns restos mortais foram encontrados em covas rasas, disse a Lower Kootenay em um comunicado.

A St. Eugene's foi operada pela Igreja Católica de 1912 até o início dos anos 1970. Até cem membros da Lower Kootenay foram forçados a estudar lá, disse a tribo.

Mas os restos mortais foram encontrados no cemitério de ʔaq̓am, que data de 1865. Os cemitérios costumavam ser marcados com cruzes de madeira que se desintegraram ou foram removidas ao longo dos anos.

"Esses fatores, entre outros, tornam extremamente difícil estabelecer se essas sepulturas não marcadas contêm ou não os restos mortais de crianças que frequentaram a escola", disse a comunidade.

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O que são essas escolas

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Getty Images -
Política do governo buscava assimilar crianças indígenas

A St. Eugene's foi um dos mais de 130 internatos financiados pelo governo canadense e administrados por autoridades religiosas durante os séculos 19 e 20 com o objetivo de assimilar os jovens indígenas. A Igreja Católica foi responsável por até 70% deles.

Quando a matrícula nestas instituições se tornou obrigatória na década de 1920, os pais enfrentaram a ameaça de prisão se não cumprissem a ordem.

Entre 1863 e 1998, mais de 150 mil crianças indígenas foram tiradas de suas famílias e colocadas nessas escolas. Elas muitas vezes não tinham permissão para falar sua língua ou praticar sua cultura.

Estima-se que 6 mil morreram enquanto frequentavam essas escolas — até agora, mais de 4,1 mil crianças foram identificadas —, em grande parte devido às péssimas condições de salubridade .

Os alunos muitas vezes eram alojados em instalações mal construídas, mal aquecidas e pouco higiênicas. Em 1945, a taxa de mortalidade de crianças nos internatos era quase cinco vezes maior do que a de outras crianças canadenses. Na década de 1960, a taxa ainda era o dobro.

Abusos físicos e sexuais cometidos por autoridades escolares levaram outras pessoas a fugir. "Eles nos fizeram acreditar que não tínhamos alma", disse a ex-estudante em uma entrevista coletiva. "Eles estavam nos rebaixando como pessoas, então, aprendemos a não gostar de quem éramos."

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Outros corpos já foram encontrados

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Reuters -
Um memorial foi improvisado em torno do local onde ficava uma antiga escola residencial em Kamloops

Essa é a terceira vez que túmulos não marcados são encontrados em locais assim desde maio.

Naquele mês, os restos mortais de 215 crianças indígenas foram achados em no maior internato desse tipo, em Kamloops, na Colúmbia Britânica. Acredita-se que as mais jovens delas tinham cerca de 3 anos.

A escola funcionou entre 1890 e 1969 e chegou a receber 500 alunos indígenas ao mesmo tempo, muitos deles enviados para morar a centenas de quilômetros de suas famílias.

Dos restos mortais encontrados, acredita-se que 50 crianças já tenham sido identificadas, disse Stephanie Scott, diretora executiva do Centro Nacional para Verdade e Reconciliação, comissão lançada em 2008 para documentar os impactos desse sistema.

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Suas mortes, quando conhecidas, variam de 1900 a 1971. Mas para os outros 165, não há registros disponíveis para apontar suas identidades.

Na semana passada, os líderes da Nação Cowessess disseram que os restos mortais de 751 corpos, a maioria deles de crianças, foram encontrados no local onde ficava outra escola, em Saskatchewan.

Eles afirmaram que se trata da descoberta "mais substancial e significativa até hoje no Canadá".

A Marieval Indian Residential School foi administrada pela Igreja Católica de 1899 a 1997. Ainda não está claro se todos os restos mortais estão ligados à escola.

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Política foi considerada genocídio cultural

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Getty Images -
Estima-se de 6 mil crianças morreram nos internatos

Essas notícias chega em meio a um longo processo de reexame da consciência nacional sobre o legado destas escolas do Canadá. As descobertas incitaram a ira de muitos, e memoriais improvisados foram criados em todo o país.

"A indignação e a surpresa do público em geral são bem-vindas, sem dúvida", disse o chefe da Assembleia das Primeiras Nações, Perry Bellegarde. "Mas isso não é surpreendente. Os sobreviventes vêm dizendo isso há anos e anos, mas ninguém acreditava neles."

Na quarta-feira (30/7), o primeiro-ministro Justin Trudeau disse que as descobertas de túmulos "nos obrigaram a refletir sobre as injustiças históricas e contínuas que os povos indígenas enfrentam".

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O Centro Nacional para Verdade e Reconciliação, criado por meio de um acordo entre o governo e as nações indígenas, descobriu que um grande número de crianças nunca voltou para suas comunidades. O relatório da comissão, publicado em 2015, disse que a prática equivale a um genocídio cultural.

O documento de 4 mil páginas detalhou falhas abrangentes no cuidado e segurança das crianças e a cumplicidade por parte da igreja e do governo. As péssimas condições das escolas, disse o relatório, foram em grande parte por causa da decisão do governo do Canadá de cortar custos.

Em 2008, o governo canadense se desculpou formalmente pelo sistema. A Igreja Católica ainda não emitiu um pedido formal de desculpas.

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FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57687334

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DW.COM

Partido de Le Pen recebe apoio abaixo do esperado no pleito, considerado um termômetro para a eleição presidencial de 2022. Em quinto lugar, legenda de Macron também não decola. Abstenção foi recorde, de cerca de 68%.

lepen210621© Alexandre Marchi/MAXPPP/dpa/picture alliance Apesar do resultado, partido de Le Pen ainda pode controlar uma região do país se vencer no segundo turno

O primeiro turno das eleições regionais francesas, consideradas um termômetro para o pleito presidencial do próximo ano, trouxe um revés tanto para o presidente Emmanuel Macron quanto para sua adversária Marine Le Pen, candidata da ultradireita.

Com uma abstenção recorde – estima-se que entre 66% e 68% dos eleitores franceses não foram às urnas –, o pleito deste domingo (20/06) teve resultados aquém dos esperados para os partidos A República em Marcha (LREM), de Macron, e Reunião Nacional (RN), de Le Pen.

Projeções da imprensa francesa mostram o ultradireitista RN em segundo lugar nacionalmente, com cerca de 19% dos votos, atrás apenas da legenda de centro-direita Os Republicanos, com 28%. Em seguida, o Partido Socialista e parceiros obtiveram cerca de 16%, afirmam as projeções, enquanto os verdes tiveram 13%.

Apenas em quinto lugar, o LREM de Macron aparece com cerca de 11% da preferência do eleitorado – o que foi descrito como "um tapa na cara" democrático" pela deputada do partido Aurore Bergé. "Não vou minimizar o que aconteceu", disse ela à emissora BFMTV.

O resultado marca uma perda significativa para o partido de Le Pen em comparação com dezembro de 2015, quando obteve 27,7% dos votos no primeiro turno das eleições regionais. A ultradireitista não concorreu como candidata, mas fez campanha forte por seus candidatos regionais, especialmente nas áreas rurais onde o apoio à ultradireita continua alto.

Neste ano, estimava-se que o RN poderia chegar na frente em seis das 13 regiões da França, mas com o revés nas urnas, o partido só tem chance – embora pequena – de levar uma delas no segundo turno, a Provença-Alpes-Costa Azul, que abriga Marselha. O RN nunca controlou uma região. Portanto, uma vitória no segundo turno enviaria a mensagem de que a França ainda não pode descartar a ideia de ter um ultradireitista vencendo as eleições presidenciais do ano que vem.

Le Pen culpou a alta abstenção pelo resultado deste domingo. "Nossos eleitores não compareceram [às urnas]", declarou a líder do Reunião Nacional em suas primeiras declarações após o pleito. "Eu só posso lamentar esse desastre cívico, que muito fortemente deformou a realidade eleitoral do país e deu uma ideia enganosa das forças políticas em jogo", acrescentou. "Se você quer que as coisas mudem, saia de casa e vote [no próximo turno]."

Alta abstenção

A abstenção nas urnas foi a maior desde pelo menos 1958, mas a tendência de alta está clara há anos, não apenas nos pleitos regionais, mas também nos presidenciais. Nas regionais de 2015, pouco mais de 50% dos franceses não foram votar. Em 2010, foram 53,7%.

"Poderíamos dizer que é um colapso na participação eleitoral", disse o cientista político Bruno Cautrès, da Universidade Sciences Po.

Neste ano, parece ter desempenhado um papel o fato de a campanha eleitoral ter sido minguada em meio às restrições de combate à covid-19. Outro fator apontado é o clima quente de verão registrado neste domingo, num fim de semana em que as regras sobre o uso de máscaras foram afrouxadas.

"Estou chocado: os franceses reclamam o tempo todo, mas quando precisam votar, preferem ir à praia ou à piscina", disse um eleitor no sul da França.

A eleição deste domingo foi para eleger novos parlamentos para as 13 regiões da França, bem como para os 96 departamentos do país. Os conselhos regionais têm orçamentos de bilhões de euros e são responsáveis por setores como educação, transporte e desenvolvimento econômico.

Houve um total de 15.786 candidatos concorrendo a 4.108 assentos. Os vencedores são normalmente eleitos para um mandato de seis anos. O segundo turno ocorre no próximo domingo, 27 de junho, com todos os candidatos que receberam mais de 10% dos votos no primeiro, o que significa que pode haver três ou mais partidos concorrendo na segunda rodada.

ek/lf (AFP, Reuters, DPA, Lusa, ots)

 

 

 

 

FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/eleicoes/ultradireita-sofre-rev%c3%a9s-em-elei%c3%a7%c3%b5es-regionais-na-fran%c3%a7a/ar-AALgTnv

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O deputado brasileiro Aroldo Martins, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), critica o tratamento dado por Angola à instituição e alerta para a influência da bancada evangélica em acordos que afetam o país.

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© B. Ndomba/DW
Provided by Deutsche Welle

Em entrevista à agência Lusa, o deputado, membro da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara baixa brasileira, considerou "muito difícil" a situação que a IURD atravessa em Angola e afirmou haver "preconceito" contra a instituição religiosa fundada por Edir Macedo e alertou o país africano para eventuais consequências.

"Não gostaria de dizer que fosse necessário atrapalhar relações entre o Brasil e Angola, mas gostaria de dizer também que a nossa bancada tem uma influência muito grande na indústria, comércio e tecnologia no Brasil, e que muitos desses acordos, que facilitam inclusive a República de Angola, passam por nossas mãos", advertiu Aroldo Martins, do partido Republicanos.

Questionado sobre se apoia possíveis retaliações do Brasil contra Angola, o deputado afirmou que "gostaria que não" existissem medidas desse tipo, mas que "é difícil" que tal não aconteça, tendo em conta a resposta angolana.

"Como é que alguém pode pensar que o meu coração se une ao meu raciocínio com o desejo de incentivar que se ajude a República de Angola, sabendo que esse tipo de coisa está a acontecer? Deixo um pouco de interrogação", declarou à Lusa, no seu gabinete na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Conflito interno desde 2019

Em causa está um conflito interno na IURD em Angola, que teve o seu início em novembro de 2019, quando um grupo de dissidentes angolanos decidiu afastar-se da direção brasileira, com várias acusações, nomeadamente de evasão de divisas, racismo, prática obrigatória de vasectomia, entre outras, todas recusadas pelos missionários da igreja criada pelo brasileiro Edir Macedo, que acusam também os angolanos de xenofobia e agressões.


© Borralho Ndomba

Nos tribunais angolanos, depois de iniciadas as divergências entre as partes, agravadas com a tomada pela força de templos em todo o país, correm vários processos judiciais relacionados com a IURD Angola. Todo o conflito levou a que o Governo angolano decretasse, recentemente, a deportação de missionários brasileiros da IURD.

Perante a situação, Aroldo Martins, que já foi CEO da Record TV Internacional (Portugal), grupo detido por Edir Macedo, espera por "ações concretas" do Governo brasileiro e que o executivo angolano "busque e use das suas formas e meios para investigar" e alcançar uma "definição bem clara do que é a IURD no mundo e não essa ideia equivocada e preconceituosa".

Quem mais perde é o povo angolano

"É lamentável, porque quem tem a perder é o povo angolano, porque o trabalho que as igrejas - não apenas a IURD - fazem com a população é algo que todo o dinheiro que o Governo possa pagar em assistência social, psicológica, em aconselhamento para se levantar o ser humano, não consegue cobrir aquilo que, por vocação e chamamento, as organizações religiosas fazem em prol da nação. Quem perde é a população e isso é triste", sustentou o deputado.

Contudo, o deputado da Frente Parlamentar Evangélica garantiu que o tratamento dado pelo Governo angolano à IURD não é uma situação exclusiva e isolada, sublinhando que "todos" os estrangeiros passam por esse tipo de "dificuldades".

"No decorrer do que tem acontecido ultimamente, agravou-se a relação, posso dizer que em relação à convivência daquilo que é 'estrangeiro' em Angola. As próprias autoridades dos países... todos sentimos dificuldades. Todos. Empresários portugueses sofreram e sofrem, iniciativas estrangeiras que investiram no país sofreram", disse.

"Devo dizer que todos os que conhecem a história de Angola desde a sua independência depois da Revolução dos Cravos em Portugal...a coisa em Angola ainda é muito recente e essa relação com o estrangeiro, essa relação colonizado, ainda é muito na pele, ainda para mais o que aconteceu na guerra civil angolana", acrescentou Martins.

Numa mensagem dirigida a Angola, o deputado fez ainda um apelo: Gostaríamos que refletissem, que buscassem informações, que prejulgamentos e preconceitos não fossem estabelecidos sem transparente conhecimento de causa. Assim, para bem da verdade, todos ganhamos e o povo de Angola não perde".

por:content_author: Agência Lusa

 

 

 

 

FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/deputado-da-iurd-avisa-angola-para-influ%c3%aancia-da-bancada-brasileira/ar-AALgtiF

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BBC News

Depois de uma sequência de estudos que reforçaram nas últimas semanas a eficácia da vacina Coronavac contra a covid-19, o imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac recebeu mais uma sinalização positiva nesta terça-feira (1/6): a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou seu uso emergencial.

sinovac020621© Getty Images

Isso quer dizer, na prática, que países poderão acelerar seus processos de aprovação interna para uso de vacina, casos suas regras permitam que decisões de órgãos internacionais como a OMS sirvam como comprovação de eficácia e segurança; e que o imunizante poderá ser incorporado ao consórcio Covax Facility, liderado pela o OMS com o objetivo de distribuir doses entre os países de forma mais igualitária.

No Brasil, a Coronavac já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial e é produzida em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo estadual de São Paulo.

"É mais uma aval que a gente não tinha muita dúvida que viria, porque (a vacina) preenche todos os requisitos. Os dados da CoronaVac realmente são muito bons no mundo real, no Uruguai, Chile, no município de Serrana (SP), mostrando o impacto positivo da introdução da vacina em programas públicos de imunização", explica o médico infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), citando estudos recentes que mostraram os benefícios da vacina em diferentes lugares.

"O estudo de Serrana é emblemático porque tem uma situação experimental e controlada, quase um laboratório da vida real, demonstrando que a vacina consegue reduções expressivas no número de casos, na hospitalização e mortalidade. E isso em um cenário de circulação predominante da (variante) P.1"

Kfouri se refere a um estudo conduzido no município paulista e que teve resultados apresentados nesta segunda-feira (31/5), conforme mostrou a BBC News Brasil.

Lá, 95% da população adulta foi vacinada com duas doses da CoronaVac — chegando a aproximadamente 28 mil pessoas na cidade cuja população é de 45 mil. Segundo os dados apresentados em entrevista coletiva, as mortes por covid-19 foram reduzidas em 95%; as internações, em 86%; e os casos sintomáticos, em 80%.

As reações adversas também se mostraram pouco significativas: 4,4% dos participantes apresentaram algum incômodo após a primeira dose, e apenas 0,02% deles tiveram efeitos colaterais grau 3, como dor na cabeça ou nos músculos, que chegam a prejudicar as atividades diárias.

É importante destacar, porém, que estes resultados ainda não foram publicados em uma revista científica, onde eles costumam passar pela avaliação de cientistas independentes, na chamada "revisão dos pares".

No Uruguai, também citado por Kfouri, o Ministério da Saúde divulgou em 25 de maio que duas doses da CoronaVac conseguiram reduzir em 97% a mortalidade por covid-19 na população imunizada; em 95% a internação em UTI; e em 57% a ocorrência da doença.

O ministério da Saúde do Chile também publicou em abril resultados preliminares mostrando que a eficácia da CoronaVac, depois de duas doses, foi de 80% na prevenção de morte; 89% na internação em UTI; e 67% na ocorrência da doença com sintomas.

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© Science Photo Library
CoronaVac contém o vírus inteiro inativado da Sars-CoV-2, enquanto as demais vacinas injetam no organismo humano genes da spike do coronavírus

Testes da 'vida real'

Membro do Comitê de Vacinas Covid-19 da OMS (SAGE), a médica infectologista e epidemiologista Cristiana Toscano explica que as vacinações em larga escala permitem a realização de estudos considerados de fase 4, que avaliam a efetividade de uma vacina.

As fases anteriores são realizadas ainda em ambientes controlados, com voluntários acompanhados muito de perto por equipes que conduzem os chamados ensaios clínicos. Já na fase 4, as pessoas avaliadas são da própria população.

"Para o registro e utilização em ampla escala de uma vacina, são necessários estudos clínicos de fase 3, que avaliam a eficácia — ou seja, como a vacina funciona em condições ideais, no ambiente controlado de um ensaio, para prevenir infecção, doença, hospitalização, morte... E também nessa etapa, avalia-se a segurança", explica Toscano, referindo-se à etapa que agências sanitárias como a Anvisa costumam exigir para aprovação de uma vacina.

"Os estudos de efetividade (fase 4) são de funcionamento da vacina no mundo real, sujeito a todas questões operacionais e realidades de mundo real interferindo", acrescenta a médica, também professora da Universidade Federal de Goiás (UFG).

"Tendo evidência de que a vacina funciona e é segura (fase 3), já se sabe que serão necessários estudos de seguimento em ampla escala para monitorar a segurança e efetividade (fase 4)."

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© BBC

Outro estudo de "vida real" mencionado por Toscano foi um realizado em Manaus, já no cenário de circulação da variante P.1, com profissionais de saúde vacinados com pelo menos uma dose da CoronaVac. O estudo preliminar, publicado em abril ainda sem revisão dos pares, mostrou uma eficácia de 49,6% na prevenção à doença com sintomas — mas a médica lembra que, por motivos óbvios, os desfechos mais importantes que uma vacina deve evitar são hospitalização e morte, e estes têm apresentado percentuais maiores de prevenção.

Testes na realidade também permitem esmiuçar como a vacinação pode variar em diferentes grupos populacionais, como os idosos. Um estudo preliminar publicado no final de maio, por exemplo, mostrou que em pessoas com mais de 70 anos vacinadas com duas doses de CoronaVac, a efetividade na prevenção da doença com sintomas foi de 42% — abaixo da eficácia de 50,38% para adultos encontrada nos ensaios clínicos.

"Alguns grupos em particular, por exemplo os idosos, foram subrepresentados em ensaios clínicos de vacinas contra a covid, por questões de segurança (nos testes) — como foram também crianças e gestantes. Primeiro, foram feitos estudos com adultos saudáveis; depois que foi verificada a segurança neste grupo, foram permitidos estudos adultos com comorbidades; e depois, foram incorporados os idosos", relata Cristiana Toscano.

"Então, existe uma recomendação muito importante de que se realizem estudos de efetividade particularmente em idosos."

Em um comunicado desta terça-feira (1/6), ao anunciar a aprovação do uso emergencial da CoronaVac, a OMS reconheceu que há poucos estudos envolvendo idosos e crianças. Entretanto, a organização recomenda a vacinação com a CoronaVac a partir dos 18 anos de idade pois "dados coletados durante o uso subsequente em vários países e informações de imunogenicidade sugerem que a vacina provavelmente tem efeito protetor em idosos".

Quanto mais farto e variado o 'elenco de vacinas', melhor

A aprovação do uso emergencial acontece após a análise, por especialistas membros e consultores da OMS, de dados sobre a qualidade, segurança e eficácia das vacinas. Na avaliação da CoronaVac, a organização informou ter feito também inspeções in loco de fábricas.

Uma vez que a OMS tem estratégias, como a Covax Facility, para melhorar o acesso a tratamentos e vacinas em países mais pobres, ela avalia também as condições de armazenamento e transporte — como a exigência de refrigeração das doses.

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© Getty Images
Aprovação do uso emergencial pela OMS acontece após a análise, por especialistas membros e consultores, de dados sobre a qualidade, segurança e eficácia das vacinas

Segundo a entidade, a facilidade de armazenamento da CoronaVac "a torna muito administrável e particularmente adaptável a cenários de poucos recursos". Sua recomendação é de que a vacina seja aplicada em duas doses, no intervalo de duas a quatro semanas.

Além desta, a OMS já aprovou o uso emergencial de vacinas da Pfizer/BioNTech; Astrazeneca-SK Bio; Serum Institute of India; Astra Zeneca EU; Janssen; Moderna e Sinopharm.

"Essas vacinas terão eficácias diferentes, intervalos diferentes, reações diferentes, algumas serão mais baratas ou caras... Mas o que elas têm em comum é a segurança, efeitos colaterais pequenos perto dos benefícios, e boa proteção formas graves da doença — com desfechos de mortalidade e hospitalização", avalia Renato Kfouri.

Cristiana Toscano também comemora a nova integrante do "elenco" de vacinas validadas e recomendadas pela OMS.

"Fica muito claro, globalmente e a nível nacional, que a gente precisa de várias vacinas para o controle da pandemia. Precisamos de uma grande quantidade para atingir a população prioritária do mundo todo. E quanto mais rapidamente a gente consegue chegar à altas coberturas, mais rapidamente a gente consegue evitar a mortalidade e hospitalização, e na sequência reduzir a transmissão viral — conseguindo eventualmente controlar essa pandemia", diz a epidemiologista e infectologista.

 

 

 

 

FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/aprova%c3%a7%c3%a3o-da-oms-d%c3%a1-aval-%c3%a0-coronavac-dizem-especialistas/ar-AAKCVyE

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AFP

A Igreja Católica, que nesta terça-feira (1) incluiu no Código de Direito Canônico um artigo sobre os crimes sexuais contra menores cometidos por sacerdotes, está implicada em vários casos de abusos em todo o mundo.

abusos020621Escultura do artista Jacques Tilly na Catedral de Colônia traz o slogan "11 anos de investigação implacável dos casos de abuso!" - AFP

– Chile –

Durante sua viagem ao Chile em janeiro de 2018, o papa Francisco defendeu o bispo chileno Juan Barros diante da suspeita de ter encoberto os crimes sexuais de um padre. Depois voltou atrás, convidou algumas das vítimas para Roma e convocou todos os bispos chilenos.

Esses últimos apresentaram sua renúncia em bloco após a reunião. Algumas delas, como a do bispo Barros e a do arcebispo de Santiago do Chile, o cardeal Ricardo Ezzati, acusado de encobrir os padres, foram aceitas.

Em outubro de 2018, os tribunais chilenos ordenaram que a Igreja pagasse 450 milhões de pesos (671.000 dólares) em indenização às três vítimas.

– Estados Unidos –

O papa Francisco destituiu em fevereiro de 2019 o ex-cardeal americano Theodore McCarrick, de 88 anos, acusado de agressão sexual há quase meio século. Essa foi a primeira vez que um cardeal foi “reduzido ao estado laico” por tais acusações.

Em 2018, uma investigação do Ministério Público da Pensilvânia descobriu abusos sexuais encobertos pela Igreja Católica desse estado, cometidos por mais de 300 “padres predadores” contra ao menos mil meninos.

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O escândalo obrigou o ex-arcebispo de Pittsburgh, Donald Wuerl, a renunciar.

Na década de 2000, segundo uma ampla investigação do Boston Globe, a hierarquia da diocese e em particular o ex-arcebispo Bernard Law encobriram sistematicamente os abusos sexuais cometidos por cerca de 90 padres durante décadas.

Refugiado no Vaticano após renunciar ao arcebispado, Bernard Law morreu em 2017.

A Igreja dos Estados Unidos recebeu denúncias de mais de 18.500 vítimas de abusos sexuais por parte de mais de 6.700 clérigos entre 1950 e 2016, segundo o bishop-accountability.org.

– Austrália –

O cardeal George Pell foi condenado em 2019 a seis anos de prisão pelo estupro e agressão sexual de dois coroinhas em 1996 e 1997 na catedral de São Patrício, na cidade de Melbourne (sudeste), onde era arcebispo.

Sua condenação, confirmada em apelação, foi anulada pelo tribunal superior da Austrália, que o absolveu em 2020 alegando o benefício da dúvida.

Em maio de 2018, o arcebispo australiano Philip Wilson foi declarado culpado de encobrir as agressões cometidas por um padre na década de 1970. Sua condenação foi anulada em apelação em dezembro de 2018.

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– Alemanha –

Desde 2010, foram revelados centenas de casos de abusos sexuais a menores em instituições religiosas, inclusive no elitista Canisius College de Berlim. Em 2017, um relatório de investigação revelou que ao menos 547 meninos do coro católico de Ratisbona sofreram supostos abusos, incluindo estupro, entre 1945 e o início da década de 1990.

Em 2018, uma investigação de um consórcio de pesquisadores universitários descobriu que ao menos 3.677 crianças foram abusadas sexualmente entre 1946 e 2014 por 1.670 clérigos. A maioria dos criminosos nunca foi castigada.

Nesta quinta-feira (18), um relatório independente encarregado pela Igreja alemã identificou 314 menores abusados sexualmente por 202 clérigos ou laicos entre 1975 e 2018 na diocese de Colônia.

– Irlanda –

Na década de 2000, as acusações de abusos sexuais durante anos contra 14.500 meninos envolveram as instituições da Igreja. Vários bispos e padres, acusados de encobrir os abusos, foram sancionados.

Durante sua viagem à Irlanda em 2018, o papa se reuniu especialmente com uma vítima do padre Tony Walsh, que abusou sexualmente de meninos durante quase duas décadas antes de ser expulso e preso.

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– França –

Em 2019, o cardeal Philippe Barbarin foi condenado em primeira instância a seis meses de prisão com pena suspensa por não denunciar as agressões sexuais a menores cometidas pelo padre Bernard Preynat a cerca de 70 jovenes escoteiros entre 1986 e 1991.

Ele foi absolvido em apelação em 2020. O papa, no entanto, aceitou sua demissão.

Bernard Preynat, por sua vez, foi condenado em 2020 a cinco anos de prisão.

No início de março, uma comissão independente sobre os abusos sexuais na Igreja francesa estimou que o número de vítimas poderia alcançar “ao menos 10.000” desde os anos 1950.

– Polônia –

A poderosa Igreja Católica polonesa foi abalada nos últimos anos por várias acusações de abuso sexual que levaram a sanções ou renúncias do Vaticano.

Em 2019, a Igreja admitiu que quase 400 clérigos haviam abusado sexualmente de crianças nas últimas três décadas.

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FONTE: https://istoe.com.br/os-escandalos-de-abusos-sexuais-contra-menores-na-igreja-catolica-2/

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Luciana Penante

As últimas semanas de maio reacenderam a discussão sobre as origens do novo coronavírus. Embora a OMS tenha feito um relatório, após visita à China, afirmando que é "extremamente improvável" que o vírus tenha surgido em laboratório, a própria entidade afirmou que faltaram elementos para uma resposta conclusiva a respeito da origem da doença. Agora, de teoria da conspiração à possibilidade de vazamento do vírus devido a um acidente, o instituto de pesquisa voltou a ser tratado como hipótese de ponto zero.

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Instituto de Virologia de Wuhan, na China, deve voltar a ser alvo de investigação internacional.
Fonte:  Wikipedia 

Cronologia da dúvida

Em 14 de maio, um grupo de 18 cientistas de universidades prestigiadas – Harvard, Yale, Stanford e Cambridge – publicaram uma carta na revista Science questionando o relatório da OMS a respeito da origem do novo coronavírus. Eles pediram um novo estudo, uma vez que os pesquisadores enviados pela OMS à China tiveram as investigações limitadas devido a restrições impostas por Pequim.

No dia 23 de maio o The Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre três colaboradores do Instituto de Virologia de Wuhan que teriam adoecido juntos e precisaram ser internados em novembro de 2019 – época em que surgiram os primeiros casos de coronavírus no país oriental. As informações são atribuídas a relatórios dos serviço de Inteligência americanos.

Em 24 de maio, o porta-voz da Casa Branca para assuntos médicos, Anthony Fauci, disse já não estar tão certo de que o vírus tenha mesmo origem na natureza e sugeriu que mais investigações fossem realizadas.

Já em 26 de maio, o presidente americano Joe Biden solicitou que os serviços de Inteligência do país investiguem as origens da covid-19 e façam novo relatório. Isso ocorre após Biden ter recebido um documento indicando que as pesquisas sobre as duas hipóteses de surgimento do Sars-CoV-2 – contato entre animais infectados e humanos ou acidente em laboratório – são inconclusivas até o momento.

Qual hipótese é a mais provável?

Joe Biden argumentou que, segundo os serviços de inteligência, as duas hipóteses são as mais plausíveis, porém ainda não há informações suficientes para avaliar qual é mais provável. Segundo o presidente, Washington irá trabalhar com parceiros internacionais para pressionar a China a participar de uma "investigação internacional abrangente, transparente e baseada em evidências".

O que a China diz

Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, acusou os Estados Unidos de tentar provocar estigmatização de seu país e alegou que o estudo científico realizado pela OMS é sério.

"O objetivo deles [EUA] é usar a pandemia para buscar estigmatização, manipulação política e redirecionar a culpa. Eles estão sendo desrespeitosos com a ciência, irresponsáveis com a vida das pessoas e contraproducentes para os esforços conjuntos para combater o vírus", afirmou.

Investigação da OMS

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Lagostins em mercado de úmidos em Wuhan. O mercado de Huanan foi o primeiro local a registrar um surto de covid-19, em 2019. Fonte:  Pixabay 

Já em abril de 2020, quando relatórios do Departamento de Estado dos EUA foram revelados, ficou claro que funcionários da embaixada demonstravam preocupação com a biossegurança de Wuhan. Mas a China levou meses para admitir uma investigação internacional.

Somente no início de 2021 uma equipe de pesquisadores foi enviada pela OMS à China. O relatório, feito em conjunto com cientistas do país, foi inconclusivo. O documento apontou apenas que era "extremamente improvável" que o vírus tivesse surgido de um laboratório chinês – o que não exclui por completo a possibilidade de acidente.

Um porta-voz da OMS reiterou à rede BBC recentemente que mais estudos são necessários "em uma variedade de áreas, incluindo detecção precoce de casos e surtos, o papel potencial dos mercados de animais, transmissão através da cadeia alimentar e a hipótese de incidente em laboratório".

O laboratório citado pela OMS fica próximo ao mercado de Huanan – primeiro foco de infecções por covid-19 no mundo. Defensores da teoria do acidente em laboratório afirmam que o vírus poderia ter escapado e se espalhado no mercado.

Acidentes de laboratório, no entanto, não significam necessariamente que o vírus tenha sido sintetizado propositalmente, mas sim que o patógeno pode ter escapado das barreiras de proteção em um local que estuda agentes que infectam outros seres vivos. Joe Biden deu 90 dias para que o novo relatório seja apresentado.

 

 

 

 

FONTE: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/218352-origem-coronavirus-laboratorio-wuhan-volta-investigado.htm

 

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