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Por Jornal do Brasil 

Romance da premiada escritora Sheyla Smanioto, incluída na lista Forbes Under 30, aborda a experiência repleta de fúria e desejo vivenciada por alguém que ocupa um corpo de mulher

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A relação da mulher com o próprio corpo. Todas as sensações que essa conexão é capaz de criar: dor, sofrimento, prazer, fúria, desejo. Tudo narrado pela protagonista do romance Meu corpo ainda quente (Editora Nós, 113 páginas), uma mulher que vive em um corpo emprestado e precisa escolher entre aceitar esse destino – que é o de todas as mulheres da cidade onde nasceu e mora – ou ir atrás do próprio corpo e retomá-lo para si. “(...) como eu vou saber que virei mulher, Mãe?”, “quando tomarem seu Corpo com um só olhar” – o livro é construído com trechos como este, que provocam reflexão a cada frase lida.

É claro que essa aventura distópica e cheia de subjetividade feminina e feminista foi escrita por uma mulher. Sheyla Smanioto pode ser classificada sem modéstia como uma garota-prodígio da literatura brasileira: tem 30 anos e já ganhou os principais prêmios do país – todos foram conquistados antes dos 30. Venceu o Prêmio Sesc de Literatura, o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, Prêmio Jabuti (3º lugar) e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Por causa do grande destaque no mundo dos livros, em 2017 integrou a lista Forbes dos brasileiros com menos de 30 anos que fazem a diferença.

“Me considero uma migrante social. Vim de uma classe social mais baixa e, por causa da escrita, das palavras, tive acesso a um mundo diferente”, afirma Sheyla, filha de pai migrante nordestino, mãe do interior de São Paulo, nascida em Diadema, na Grande São Paulo, e que, por causa dos livros que escreveu, tem textos publicados em revistas brasileiras e estrangeiras e participou de eventos dentro e fora do Brasil.

Sheyla Smanioto encontrou no processo da escrita uma forma de se conectar com o próprio corpo, de buscar o prazer e de contar uma outra história sobre o corpo da mulher. “O corpo é um atravessamento de histórias. Por muito tempo, achei que o corpo era isolamento, prisão, limite”, explica. “Com a escrita, virei minha vida do avesso, voltei, renasci. E voltei com sede de inventar um novo corpo, não com a faca, sangue e frankenstein. Com palavras. Um novo corpo a partir de uma nova história sobre o corpo.” O corpo da mulher, o “ser” mulher e o que isso representa está presente nas 113 páginas do romance: “Agora você quer ser mulher, você sabe o que é ser mulher? É falar a verdade e sentir que está mentindo, é isso que você quer?”

A orelha do livro foi escrita pela filósofa Márcia Tiburi, que é enfática: “é impossível não ser virada do avesso, é impossível não ser tangida, devorada, atravessada, rasgada e costurada por Meu corpo ainda quente”.

livro070321Capa de Meu corpo ainda quente (Foto: Divulgação)

Do começo ao fim, o romance escancara as dores e os questionamentos intrínsecos ao “ser” mulher – “Era uma vez uma menina que vivia em um reino onde as mulheres não possuíam o próprio Corpo e aprendiam, desde pequenas, a se esconderem em um canto do Corpo pros homens poderem usar.” Na cidade fictícia de nome “Vermelha”, que funciona como local de desova da ditadura militar, as mulheres não são donas do próprio corpo. E é lá que a jovem Jô empreende uma jornada de busca pela história da mãe, das suas ancestrais, do significado da morte para todas as mulheres e do próprio corpo.

Meu corpo ainda quente é para ser lido em um só fôlego, com toda tensão, fúria, medo, afeto e paixão que o corpo de uma mulher carrega.

Sobre a autora

Sheyla Smanioto tem 30 anos, é graduada em Estudos Literários pela Unicamp, onde fez mestrado em Teoria Literária. Com o primeiro romance, Desesterro (2015 – Ed. Record), ganhou o Prêmio Sesc de Literatura e o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Integrou a lista Forbes Under 30, em 2017. Participou do Salão do Livro de Paris, do Printemps Littéraire Brésilien e da Feira de Guadalajara. Com o novo livro, Meu corpo ainda quente, foi contemplada com o incentivo Rumos, do Itaú Cultural.

Sobre a Editora Nós

Criada em 2015 pela jornalista e escritora Simone Paulino, a Nós é uma editora brasileira conhecida por seus projetos literários inovadores. Nas publicações da Nós se destacam a qualidade editorial e gráfica, e principalmente a missão de interferir na formação cultural dos leitores e na sociedade, por meio da articulação transparente, democrática e inclusiva de parceiros que também compartilham deste ideal. Sempre em busca de um intercâmbio cultural e intercontinental, a Nós marca presença constante em países da Europa, como França, Itália e Portugal, onde acaba de abrir seu primeiro escritório fora do Brasil.

Ficha técnica: Meu corpo ainda quente (113 páginas) / Autora: Sheyla Smanioto / Editora Nós / Preço sugerido: R$ 46,00.

 

 

 

 

FONTE: https://www.jb.com.br/cadernob/ideias/2021/03/1028728-dica-de-leitura-para-o-mes-da-mulher-meu-corpo-ainda-quente-e-um-manifesto-poetico-feminista.html

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